novelos da vida

junho 30, 2010

josé saramago

faz uma semana que um dos meus escritores preferidos morreu. José Saramago vai fazer falta na minha vida, vou re-ler alguns livros, acho que vou começar por A Caverna. Acho uns dos livros mais angustiantes e porque não pessimistas. Infelizmente estou sem o livro por perto para roubar um dos milhares trechos grifados mas recorri ao google:

“Autoritárias, paralisadoras, circulares, às vezes elípticas,
as frases de efeito, também jocosamente denominadas
de pedacinhos de ouro, são uma praga maligna,
das piores que têm assolado o mundo.
Dizemos aos confusos,
Conhece-te a ti mesmo, como se conhecer-se
a si mesmo não fosse a quinta e mais dificultosa
operação das aritméticas humanas,
dizemos aos abúlicos, Querer é poder, como se as
realidades bestiais do mundo não se divertissem
a inverter todos os dias a posição relativa dos
verbos, dizemos aos indecisos, Começar pelo
princípio, como se esse princípio fosse a ponta
sempre visível de um fio mal enrolado que
bastasse puxar e ir puxando até chegarmos
à outra ponta, a do fim, e como se, entre a
primeira e a segunda, tivéssemos tido nas
mãos uma linha lisa e contínua em que não
havia sido preciso desfazer nós nem
desenredar estrangulamentos, coisa
impossível de acontecer na vida dos novelos
e, se uma outra frase de efeito é permitida,
nos novelos da vida.”

o jornal Folha de São Paulo entrevistou o escritor na época do lançamento do livro, ele deu a seguinte declaração:

“Quando digo que as pessoas que estão na caverna somos todos nós é porque damos muito mais atenção às imagens do que àquilo que a realidade é. Estamos lá dentro olhando uma parede, vendo sombras e acreditando que elas são reais.”

separei uma das várias dedicatórias que Saramago fez a sua esposa Pilar em seu livro Pequenas Memórias:

“A Pilar que ainda não havia nascido e tanto tardou a chegar”.

…………….. …. …soundtrack Leonardo Cohen